Ovinocaprinocultura no Nordeste: organização e crescimento

Ovinocaprinocultura no Nordeste: organização e crescimento

A ovinocaprinocultura é uma atividade econômica explorada em todos os continentes, estando presente em áreas sob as mais diversas características climáticas, edáficas e botânicas. No entanto, somente em alguns países a atividade apresenta expressão econômica, sendo, na maioria dos casos, desenvolvida de forma empírica e extensiva, com baixos níveis de tecnologia.

No panorama mundial, os maiores detentores de rebanhos ovinos são a Austrália, a China e a Nova Zelândia, que concentram, respectivamente, 28%, 14% e 9% do efetivo mundial. Quanto aos caprinos, os maiores criadores são a Índia, a China e o Paquistão, que, conjuntamente, concentram 42% do rebanho do globo.

O Brasil conta com rebanhos ovinos e caprinos que, somados, representam 32 milhões de cabeças, equivalentes a 3,3% do efetivo mundial, o qual é superior a 990 milhões de animais. Considerando a dimensão territorial brasileira e as condições edafoclimáticas favoráveis ao desenvolvimento da ovinocaprinocultura, nossos rebanhos são numericamente inexpressivos, sobretudo quando comparados com a criação de bovinos, cujo efetivo nacional é da ordem de 150 milhões de cabeças.

A Região Nordeste possui 10,4 milhões de caprinos e 7,2 milhões de ovinos, correspondendo, respectivamente, a 88% e 39% dos rebanhos do País. O Estado da Bahia concentra os maiores plantéis dessas espécies, com 4,4 milhões de caprinos e 2,8 milhões de ovinos. Largamente explorados de forma extensiva, esses animais têm aumentado seu contigente populacional graças à rusticidade e à adaptação ao meio ambiente, onde predomina a vegetação da caatinga. Introduzidos pelos colonizadores, os animais adaptaram-se às condições adversas do habitat. Tal fato possibilitou o surgimento de algumas raças locais, as quais, em seu processo de formação, adquiriram características de rusticidade, embora tenham perdido bastante em produtividade.

A ovinocaprinocultura é de fundamental importância sócio-econômica para o Nordeste. A produção de ovinos e caprinos representa uma alternativa na oferta de carne, leite e derivados, favorecendo o aspecto alimentar, especialmente da população rural. A produção de peles, de aceitação nacional e internacional, tem correspondido a cerca de 20% do valor atribuído ao animal abatido, constituindo receita para o criador e gerando divisas para os estados e para o País.

Conseqüentemente, o negócio envolvendo as duas espécies atua como mais um atrativo para ocupar um grande contigente de pessoas, contribuindo de forma significativa para a fixação do homem no campo.

O crescimento vertiginoso da exploração de pequenos ruminantes no Nordeste está transformando o cenário dos nossos sistemas produtivos. De fato, ao longo das últimas décadas a caprinocultura e a ovinocultura tropical têm sofrido transformações radicais nos diversos elos de suas cadeias produtivas, mercê de uma notória expansão dos mercados interno e externo. Explorados tradicionalmente de forma extensiva, os caprinos e ovinos têm aumentado substancialmente seu contigente populacional e sua qualidade genética. A ferrenha competição que emerge entre os mercados produtivos tem provocado uma busca incessante por novos conhecimentos técnicos e gerenciais. Nesse mister, as instituiões públicas e privadas vêm desempenhado um papel de fundamental importância no delineamento do cenário.

As rípidas mudanças que estão acontecendo no mundo levam as instituições a se adaptarem à nova ordem, sob pena de correrem o risco de desaparecer. Palavras de ordem, como qualidade total, eficiência, produtividade e mercado, entre outras, passam a fazer parte do cotidiano das pessoas. Diante disso, as cadeias produtivas envolvendo o agronegócio da ovinocaprinocultura devem procurar se adaptar às emergentes e dinâmicas transformações que envolvem a humanidade inserida, de forma irreversível, no fervilhante processo de globalização da economia.

Para que a ovinocaprinocultura no Nordeste brasileiro seja um negócio economicamente sustentável, gerando excedentes aos criadores, industriais e comerciantes, é preciso a implementação de um amplo programa de ações para a superção ou redução dos entraves ao desenvolvimento da atividade. Nesse sentido, é indispensável a participação e o comprometimento de todos os agentes envolvidos no processo (Governo, pesquisadores, técnicos, produtores, associações de classe, indústrias beneficiadoras, comerciantes e estruturas de apoio), com vistas ao estabelecimento de diretrizes, ao cumprimento de metas e à articulação entre todos os elos participantes das cadeias produtivas.

Haverá necessidade de um trabalho conjunto. O desenvolvimento de projetos cooperativos será a ténica gerencial que prevalecerá no mercado globalizado, e cada vez mais exigente quanto à qualidade dos produtos. A interação entre os órgãos governamentais e a iniciativa privada terá que ser permanente e crescente. Investimentos deverão ser realizados pelas instituições oficiais e pelos empresários do setor, seguindo-se planos de trabalho que propiciem um retorno alentador, no menor tempo possável. O mercado acena com grandes oportunidades, mas somente através de uma atividade organizada o Nordeste poderá se inserir, de forma competitiva, nesse emergente segmento da economia.


Fonte - embrapa

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