Presidente Dilma anuncia inclusão do Cacau na política de preço mínimo da Conab

Presidente Dilma anuncia inclusão do Cacau na política de preço mínimo da Conab

Depois de sucessivas reuniões em Brasília, com o secretário executivo do Ministério da Agricultura (MAPA), José Gerardo Fontelles, que encaminhou os pleitos apresentados, o secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles e os produtores de cacau comemoram a notícia mais esperada dos últimos meses. Ao lançar nesta quinta-feira (4) em Salvador o Plano Safra do Semiárido, a presidente Dilma Rousseff anunciou que o cacau está incluído na Política de Garantia de Preço Mínimo (PGPM) da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com o valor de R$ 75,00 a arroba.

O secretário estadual da Agricultura, engenheiro agrônomo Eduardo Salles, afirmou que com a inclusão do cacau neste importante instrumento de política agrícola, os produtores poderão se planejar para o futuro. Para ele, "essa decisão do governo federal corrige uma injustiça, que era não ter o cacau na PGPM, quando a maioria dos produtos, inclusive o café, está inclusa". Salles destacou ainda que "agora se faz justiça ao cacau, que foi e é responsável pela preservação ambiental do nosso país".

O secretário agradeceu aos produtores pela perseverança, mantendo a atividade ao longo de décadas, movimentando a economia e gerando emprego apesar das crises, à presidente Dilma pela decisão, e também ao governador Jaques Wagner. "A inclusão do cacau na PGPM estava descartada pelo Ministério da Fazenda, em função das dificuldades econômicas, mas a intervenção do governador junto à presidente e ao ministro Guido Mantega foi decisiva para essa grande vitória dos produtores", afirmou.

A inclusão do cacau na PGPM atende a um dos pleitos dos produtores apresentados ao Mapa há quase três meses, quando o secretário Eduardo Salles e representantes da Associação de Produtores de Cacau (APC), Instituto Pensar Cacau (IPC), Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), de sindicatos e do território de identidade estiveram em Brasília, no MAPA, discutindo alternativas para o cacau. Entre as reivindicações apresentadas estavam, além da PGPM, a solicitação para que a Conab realizasse a estimativa de safra do cacau, em conjunto com a Ceplac, maior fiscalização sanitária nas importações, a taxação de amêndoas e produtos derivados do cacau importados, e a redução do prazo do drawback.

Em nova reunião, no dia 13 de maio, com diretores da Conab e da Ceplac, atendendo ao pleito dos produtores e do governo baiano, o MAPA concordou e anunciou que a estimativa de safra do cacau já estava sendo feita pela Conab, com metodologia da Ceplac. Naquele dia, o diretor geral da Ceplac, Helinton José Rocha, anunciou que a previsão é que a próxima safra brasileira de cacau atinja a marca de 255 mil toneladas, sendo que desse total 179 mil toneladas (62,3%), serão produzidas na Bahia.

 "A cacauicultura brasileira caminha para a recuperação e para voltar a ser autossuficiente", afirma Guilherme Moura, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado da Bahia (Faeb), considerando a inclusão do cacau na PGPM uma grande vitória do setor. Segundo ele, "a inclusão do cacau nesse importante instrumento de política agrícola significa a garantia de renda para o cacauicultor continuar produzindo".

Henrique Almeida, ex-presidente da Associação dos Produtores de Cacau da Bahia (APC), e agora presidente do Instituto Biofábrica de Cacau (IBC), concorda com Moura, e afirma que "o setor tem que se organizar, porque a indústria é muito forte, e nós não queremos apenas vender para o governo". Ele diz ainda que, em paralelo à inclusão na PGPM, "tem que haver outras políticas complementares, como o aumento da alíquota de importação e a redução do prazo do drawback", reivindicações já encaminhadas ao MAPA.

Comentários